
Fabiana casou-se e foi morar no Caribe. Foi a festa mais rica que a maioria de seus amigos e familiares já haviam visto, exceto talvez por um primo que morava com os pais em uma bonita casa da cidade de São Joaquim de Bicas, tinha estudado em escola particular que exigia uniforme, graduou-se como bacharel em comunicação social e depois morou em Londres durante seis meses onde trabalhou como garçom para uma empresa de Buffet que uma vez serviu uma festa no palácio deBuckingham. Esse primo havia servido canapé para a rainha da Inglaterra, e até então ele era o que eles tinham de mais próximo a uma celebridade nas redondezas.
Fabiana havia conhecido Juan no carnaval de Diamantina, Minas Gerais, cidade natal da moça. Ela se divertia com as amigas pela rua bebendo pinga com guaraná, usando o cabelo molhado e óculos escuros. Quando viu o futuro marido pela primeira vez, achou ele tão diferente que pensou até que fosse carioca. Mas ele veio chegando com um portunhol gracinha e ela se derreteu. As amigas ficaram com tanta inveja que todas foram para cama com cariocas naquele dia.
Não sei se o casamento de Fabiana foi mais chique que a festa da rainha, mas foi muito divertido. Tinha DJ que tocava as musicas da moda. Era a época próxima à morte do Michael Jackson então a pista estava cheia de saltos agulha e vestidos tomara que caia derramando champanhe ao som de Billy Jean.
A comida estava deliciosa e tinha um queijo gigante maior que uma daquelas piscinas infláveis para crianças, tipo aqueles queijos que você vê servindo de decoração em um supermercado durante décadas porque ninguém nunca vai comprar um troço daquele tamanho. Bom, ele estava lá.
Os pais da noiva estavam com um semblante cansado durante a comemoração, talvez porque, como manda a tradição, eles pagaram por tudo, incluindo o queijo-monstro. Mas talvez fosse só a labirintite da mãe mesmo e a vontade de tomar whisky do pai, que era alérgico à bebida que tanto adorava. Estavam porém, felizes ao entregar a mão da filha a um executivo Venezuelano cheio da grana que ia levar ela pra morar no Caribe. Ele trabalhava com algo muito importante como petróleo ou Coca-cola, não me lembro bem.
Ao final da festa, as bolsas das madames estavam cheias de docinhos e o casal feliz embarcava para a lua de mel em um resort Tailandês. Depois disso, como eu já disse, foram morar no Caribe. Fabiana e o marido se gostavam muito, mas ela gostaria que ele tivesse mais tempo para ela. Ela não falava a língua nativa, e não tinha amigos. Passava os dias se bronzeando sozinha nas praias transparentes, enquanto Juan trabalhava. As praias eram tão transparentes que às vezes ela percebia que a parte de cima de seu biquíni simplesmente desaparecia, causando um topless espontâneo. Seria mais emocionante caso alguém se importasse com os seios à mostra de Fabi. Além do Caribe ser um lugar super gay, os eventuais barmen heterossexuais que levavam para ela drinks de vodka com caju em um copo triangular decorado com um mini guarda chuva de papel nem sequer olhavam para os mamilos marrons de Fabi, sonhando com a próxima vez que a Pamela Anderson viria passar as férias.
A sortuda solitária recém casada, usando apenas um anel incrustado de diamantes do dedo anular esquerdo e uma calcinha de lacinhos tamanho PP, resolveu dar um mergulho. Não havia ondas e podia-se ver claramente as pedras coloridas de decoravam o fundo do mar. Ela foi sentindo aquela água geladinha subindo enquanto ela caminhava em direção ao horizonte. Estava calor, mas mesmo assim ela se arrepiou toda quando a água encostou pela primeira vez na única vestimenta que a cobria, de baixo pra cima, um sentimento refrescante, indecente, gostoso. Viu que não havia ninguém nadando, a não ser um rapaz loiro, de pele muito branca, olhos azuis acentuados pela clareza daquele dia e também da situação. Fabi sentiu atração sexual pelo desconhecido. Imaginou que seria interessante transar com ele ali no mar e nunca saber o nome dele. Tinha os bicos dos seios duros como chifres.
Mas Fabi manteve distancia do gringo, provavelmente americano ou canadense, até que ele se aproximou e disse a ela: “Are you the spy rose?”. Ela não entendeu nada além da palavra rose, achou romântico e lascou um beijo na boca do coitado. Ele se achou o próprio James Bond e beijou de volta. Quando os rostos se separaram ele voltou a dizer “Do you have the information for Mr. Bin Laden?” Dessa vez ela não entendeu foi nada, e passou a lamber o pescoço do espião terrorista. Enquanto atacava orelhas, boca, e nuca com a língua, usou as mãos para manipular um pênis já ereto. Afastou para o lado a pequena calcinha e guiou o rapaz para que a penetrasse. Prazer. Ela não pensava em mais nada além do prazer que sentia – mais por atrevimento do que pelo sexo. Gemeu no ouvido do amante. Ele virava os olhos, e continuava dizendo umas coisas que Fabi não tinha a menor noção do que significavam –ela achava que ele estava falando alguma pornografia, ou, finalmente, elogiando os seios dela.
De repente o rapaz fez um movimento muito brusco, seguido de inércia total. Ela pensou que ele havia gozado e viu um líquido vermelho cobrindo uma circunferência do local onde estavam. Se afastou alguns metros, voltando com biquíni para o lugar. Viu que o amante havia sido atingido nas costas por um arpão desses de caçar baleias que ela já tinha visto no Discovery Channel. O bonitão de olhos azuis afundou e ela viu não muito longe, uma lancha de onde a arma havia sido disparada.
Sem muita pressa, Fabi saiu do mar, pegou sua bolsa de palha, sua canga decorada com o motivo da calçada de Copacabana e voltou para casa, de onde raramente saiu pelo resto da vida. Aprendeu a cozinhar, engordou uns quarenta quilos e passou as noites esperando Juan chegar de festanças em prostíbulos e boites de Strip Tease, sem reclamar.
5 comentários:
Poxa, quando o blockbuster ia começar vc cortou o barato. E vc tb matou um cara de pau duro. Tem q ver isso dae.
Também fiquei pensando na morte do cara ereto, por assim dizer. Mas imagino que seja melhor morrer assim do que em situação oposta. Afinal de contas, ele estava em uma praia paradisíaca do Caribe, com um mulherão, realizando uma fantasia pra lá de sexual. Nada mal, né?
Adoro suas referências da vida real, até me confundo!
Ah, eu achei paia ela nunca mais sair de casa. Depois de ter conseguido sair ilesa do arpão de baleia, ela demonstrou ter potencial para ser a versão feminina do james bond, ou do MacGyver. Deveria ter seguido a sua vocação...
Ela deixou o cara morrer láá???????what a bitch.
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