sexta-feira, 11 de março de 2011

Para veicular a abstração

Nenhum texto que traga a palavra relatório dentre suas linhas merece ser lido. Exceto este. É tudo uma grande perda de tempo e de curtição. Enquanto você está aí contabilizando, monitorando e atendendo com o maior prazer, muitos estão morrendo durante terremotos e tsunamis no Japão. E outros poucos estão mergulhando nas águas do caribe em busca de navios naufragados cheios de barras de ouro ou cocaína.

Você gasta todas as lacunas do seu cérebro reclamando que seu chefe não te trata como cerumanu. Perceba que existem coisas abstratas flutuando no ar, a exemplo da internet, dos universos paralelos, espíritos, ETs, e, claro, o amor. Meu pai disse que um dia a internet vai acabar. Eu respondi que é impossível, pois ela nem mesmo foi criada: sempre existiu, assim como a água, o céu e os piolhos. Os caras da era pré-geek apenas fizeram o favor de construir uma máquina que permite utilizar esse espaço imperceptível para trocar informações, pornôs ou não.

Já o amor é uma coisa que ninguém consegue entender ou utilizar com eficácia. A galera começa a sentir essa coisa estranha um pelo outro e não sabe como transformar isso em funcionalidade. Se esses geniozinhos não passassem tanto tempo jogando vídeo game ou batendo punheta, eles poderiam inventar uma máquina que mostrasse um jeito de navegar pelo amor com racionalidade, quase que matematicamente. Quando você sentir que está se apaixonando por alguém, corre na loja e compra esse aparelho pra te ajudar a não quase se matar de tanto tentar compreender tal sentimento tão contemplativo.

Seria lindo. Saber sempre o que fazer e dizer com o objetivo único de adquirir prazer, sorrisos, olhares, borboletas no estômago e descontos de motel. E as pessoas beneficiárias dessa maravilhosa tecnologia iriam se perguntar como é que era possível viver e ser feliz antes dessa revolucionária invenção. Da mesma forma que hoje, achando que somos modernos, tentamos imaginar a vida sem televisão, carros e pipoca de micro-ondas.

A maior e melhor revolução da história mundial está por vir. Basta apenas algum espertinho tentar concretizar essa minha ideia brilhante. É claro que os depressivozinhos cult que ainda insistem em existir apesar de tanta psicanálise no mundo não iriam gostar, mas eles podem usar a internet para reclamar tudo que quiserem enquanto eu estarei muito ocupada com meus orgasmos e levitações.

4 comentários:

Wagner Bezerra disse...

A pouco tempo conheço este blog e uma risada sempre surge dentro de mim quando leio teus posts, não de deboche mas de admiração!

Beijão! XD

caio disse...

vc é espertinha demais. o cerumanu é admiravelmente hábil p/ opinar sobre o q não entende. é uma forma de dividir a angustia q sente.

já existem pessoas que usam explícitamente a tecnologia para entender o amor, vide aqui um exemplo:

http://www.facebook.com/home.php#!/event.php?eid=191900014183392

Os demais movimentos, terrestres, pelo menos, são impulsionados por relacionamentos, sociais ou whatever.

tomara que nenhua revolução esteja por vir. revolução é o mesmo que dizer que tem gente achando que outras pessoas não estão fazendo o que é certo. ao invez de cair fora ou se transformarem.

revolução existe por democracia e direitos humanos. E sempre no campo político e economico. a revolução francesa, o iluminismo, nada foi por romantismo ou por amor. O amor é o sofisticado da abstração.

Eu recomendo uma leitura de Epicuro ou ruminar de forma mais concreta. ou ficaremos com a idéia de um amor shakespereano, que é autodestrutivo e, nao sei porque´cargas d'água ou tsunamis, ele prevaleceu na nossa cultura.

passar pelo concreto, pelo simples e óbvio. antes de desfrutar do sofisticado e hedonista amor. senão nunca conseguiremos distinguir uma coisa da outra.

im sorry se fui pedante. não foi a intenção

besos

Maria Tereza Andrade disse...

Vou ser mais simples que o Caio: "gosto dos textos da Renê".

David Alencar disse...

Acho que uma vez nós chegamos muito perto de programar o computador lá em Coimbra para isso. Mas ai pintou a chance de jogar Mario e, nerds que somos, não resistimos. Talvez a fórmula tenha ficado perdida em alguma garrafa de vinho do dedinho.