Eu aflita na cadeira do dentista. Apavorada por questões existencidentais. A assistente, do canto me olhava com curiosidade, tentando desvendar a minha cara de medo. Eu ignorei a transparência da moça, pois ela parecia saber mais sobre mim do que eu gostaria, apesar de nunca tê-la visto antes. Enquanto isso, o doutor violava ferozmente a minha dolorosa carie, e eu, apesar de todas as outras questões, tentava adivinhar, por brincadeira, se ele era gay ou não.
Eu procurei não olhar diretamente para a moça, mas reparei de relance que ela tinha pele morena e lábios carnudos que, se eu não tivesse outras preocupações, invejaria. Provavelmente ela fitava todos os pacientes daquela forma, e depois quando ia para casa, escrevia sobre eles em um diário ou arquivo Word.
6 comentários:
hahahahaha (sinceramente)
Toda ACD que se preze tem um arquivo de Word
tinha q ser a rene.
e com certeza ela fez anotações sobre vc que é rico personagem odonto e ontológico tb.
besos
Muito bom o seu texto! Seu blog, dos últimos que vi por aí, é um dos melhores. Parabéns!
texto criativo e que nos diz muito sobre nossa natureza
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