
Ver Capítulo 1: A Rotina Intrusa
Ver Capítulo 2: O Giro Mortal
Lila piscou os olhos inúmeras vezes e balançou a cabeça de um lado para outro, tentando compreender o que havia acontecido. Fred não estava em lugar algum do apartamento. Ela presumiu que ele ficou bravo com ela e resolveu ir para a outra dimensão sozinho, esperando lá encontrar uma nova namorada que gostasse de Simpsons. As maiores discussões que o casal tinha eram porque Lila detestava o desenho de personagens com pele amarela e cabelo de estrela-do-mar.
Para esfriar a cabeça, a garota caminhou até a cozinha e abriu a geladeira. Lá dentro encontrou toda a decoração de natal que, ao fim do ano anterior, ela tinha guardado em uma caixa de papelão e colocado no fundo do mais alto armário. Aqueles objetos cintilantes, majoritariamente vermelhos e verdes estavam ali geladinhos como nunca antes puderam ficar neste nosso hemisfério sul. Lila franziu a testa, fez cara de deboche e pegou um pote de sorvete que estava no congelador. Empunhou uma colher e quando pensou que estava prestes a se deliciar com a guloseima, viu que o conteúdo do pote era, em vez de sorvete, feijão congelado. Aí já era demais. O que aquele feijão estava fazendo ali? Ela nem mesmo tinha uma panela de pressão!
Todos aqueles acontecimentos bizarros e repentinos a fizeram crer que em minutos, seu apartamento seria invadido por besouros ninjas afegãos, que colocariam um paninho molhado em clorofórmio sobre a boca e nariz dela e a levariam embora desacordada. Na manhã seguinte, com dor de cabeça, ela provavelmente acordaria trancada dentro de uma casa de reality show.
Esperou cerca de 40 minutos e como nada disso aconteceu, e ela não sabia a quem reclamar sobre a demora, resolveu ir até um apartamento vizinho para buscar respostas. Como a maioria dos vizinhos mundo afora, Seu Firmino e Dona Márcia eram desagradáveis e donos de um poodle cujo cheiro exercia extrema supremacia no lar do velho casal.
Quando Lila esticou o dedo indicador para tocar a campainha, ocorreu-lhe uma outra ideia. Já que o mundo ia mesmo acabar e ela não podia fazer nada para impedir, resolveu então deixar tudo de lado e buscar realizar seu maior sonho: colocar na boca, ao mesmo tempo, quantas balas de gelatina conseguisse. Desde a infância, sob os julgadores olhos familiares Lila esperava pelo momento em que teria liberdade e independência o suficiente para concretizar esse desejo latente.
Tão empolgada e sorridente como quando, aos 12 anos, recebeu uma resposta datilografada a uma carta de 20 metros coberta de I Love yous que enviara ao Jon Bon Jovi, Lila desceu as escadas em alta velocidade, em busca da mais próxima loja de confeitos. Enquanto caminhava, suas pernas moviam-se em uma marcha firme e também atrapalhada, os braços balançavam junto ao corpo como os de uma criança desengonçada.
Quando chegou à loja, viu que um adolescente muito alto, de pele extremamente branca, olhos verdes e bastante acne estava sentado em um pequeno banquinho de madeira, com a cabeça levantada olhando para a Tv que ficava pregada ao alto da parede. Ela imaginara que, ao chegar à rua, veria pessoas desesperadas correndo enroladas em toalhas e cheias de shampoo no cabelo gritando “Salve-se quem pudeeer!”. Mas tudo estava estranhamente calmo.
Como ela achou que o caos estaria instalado na cidade a esse ponto, não levou dinheiro para comprar as balas. Pensou que certamente poderia observar indivíduos saqueando o comércio, colocando fogo na bandeira nacional e comendo bananas em público, o tipo de liberdade social que somente o apocalipse pode proporcionar. O menino, que parecia ser o responsável pela loja de balas estava totalmente entretido assistindo a um documentário dublado sobre vício em cirurgias plásticas. Talvez ele não soubesse que em poucas horas nada mais existiria, mas o mais provável é que ver aquelas mulheres com seios volumosos a ponto de criarem a própria órbita fosse o desejo final daquele rapaz que jamais teria a sorte de perder a virgindade com uma garota totalmente bêbada de família ortodoxa católica.
To be continued...
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5 comentários:
Taí, gostei. Assistir um documentário sobre a familia Bismarck seria mesmo uma boa idéia pro meu ultimo dia na Terra. Dar uns lances num leilão de Nelores do canal rural também.
By the way, a realidade estava mesmo alterada. Jon Bon Jovi ganhou até um H.
Aliás, Bismarchi é a familia. Bismarck era o Chanceler (aquela da frase sobre linguiças e política). Acho que comentei novamente influenciado pela imagem do porco do ultimo post
Hahaha se isso não for um sonho é uma realidade muito fantástica...^^ me diverti com tais situações ;D
oi Renata,
Quero acompanhar as próximas postagens que narram as bizarrices DavidLinchianas dessas personagens.
Beijo,
Gustavo
Faz um texto sobre o psicopata que te comia com os olhos enquanto vc gozava mentalmente excitada por aquele desconhecido animal
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